O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Em sua forma mais comum, o AVC isquêmico, um coágulo (trombo) obstrui uma artéria cerebral, impedindo que o sangue e o oxigênio cheguem às células do cérebro.
Quando isso acontece, cada minuto conta: quanto antes o fluxo sanguíneo é restabelecido, maiores as chances de recuperação. Para isso, duas abordagens são fundamentais: a trombólise e a trombectomia mecânica. Embora tenham o mesmo objetivo, elas se diferenciam bastante em técnica, indicação e complexidade.
O que é Trombólise?
A trombólise é o tratamento em que se utiliza uma medicação trombolítica (ou fibrinolítica) para dissolver o coágulo.
- Como é feita: o medicamento é administrado por via endovenosa, geralmente no pronto-socorro.
- Quando pode ser usada: até 4,5 horas do início dos sintomas.
- Indicação: pacientes que não apresentam contraindicações (como risco elevado de sangramento).
Vantagens: é um procedimento rápido, disponível em diversos hospitais e pode salvar vidas quando iniciado precocemente.
Limitações: não é eficaz em todas as obstruções, especialmente em casos de grandes vasos cerebrais, além de haver pacientes que não podem receber o medicamento.
O que é Trombectomia Mecânica?
A trombectomia mecânica é um procedimento minimamente invasivo, realizado em centros especializados, em que um médico neurointervencionista introduz cateteres pela virilha ou pelo punho e, com auxílio de imagens, alcança a artéria cerebral bloqueada para remover o trombo mecanicamente.
- Quando pode ser feita: até 6 horas após o início dos sintomas. Em alguns casos selecionados, a janela pode se estender até 24 horas, desde que exames de imagem indiquem tecido cerebral ainda viável.
- Indicação: indicada para oclusões de grandes vasos.
Vantagens: apresenta taxas significativamente maiores de reperfusão e melhora de desfecho funcional.
Limitações: exige equipe treinada, centro habilitado e materiais de alta performance.
A importância de materiais de qualidade
Na trombectomia, não basta apenas ter equipe treinada. O sucesso do procedimento depende fortemente da qualidade dos dispositivos utilizados: cateteres, sistemas de aspiração e stent-retrievers.
- Materiais de alta qualidade significam melhor navegabilidade, precisão e rapidez na retirada do trombo.
- Dispositivos de baixa performance podem prolongar o procedimento e aumentar riscos.
Ou seja, salvar vidas passa também por investimento em tecnologia confiável e segura.
Quem realiza a trombectomia
Esse procedimento é realizado por neurointervencionistas, médicos especializados em técnicas endovasculares que exigem treinamento avançado em neurorradiologia ou neurocirurgia. Ainda são poucos no Brasil, o que reforça a necessidade de centros especializados.
Hospitais de referência no Brasil
Alguns centros hospitalares se destacam como referência na realização da trombectomia:
- Hospital de Base do Distrito Federal (Brasília) – referência nacional e centro do programa “AVC no Quadrado”.
- Hospital Sírio-Libanês (São Paulo) – com equipe de excelência em neurologia e neurointervenção.
- Hospital Israelita Albert Einstein (São Paulo) – pioneiro em protocolos avançados.
- Hospital das Clínicas da USP (São Paulo) – hospital universitário com forte atuação em emergências neurológicas.
Além desses, a Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC) disponibiliza em seu site a lista de hospitais habilitados em cada estado.
Iniciativa “AVC no Quadrado”
Em Brasília, o Hospital de Base lidera a iniciativa “AVC no Quadrado”, lançada pela Secretaria de Saúde do DF. O projeto organiza a rede pública para agilizar o diagnóstico e garantir que pacientes com AVC isquêmico cheguem rapidamente a um centro apto para trombólise ou trombectomia.
O objetivo é claro: tempo é cérebro. Quanto mais rápido o atendimento, menor a chance de sequelas permanentes.
Como reconhecer um AVC e agir rapidamente
Saber identificar os sinais de alerta é tão importante quanto ter hospitais preparados. Lembre-se do mnemônico SAMU (192) e fique atento a:
- Sorriso: o rosto ficou torto ou caiu de um lado?
- Abraço: o braço ou a perna de repente ficaram fracos ou dormentes?
- Mensagem: a fala ficou enrolada ou confusa?
- Urgência: chame o SAMU imediatamente – ligue 192.
Outros sintomas incluem perda visual súbita, dor de cabeça intensa e desequilíbrio sem causa aparente.
Nunca espere passar: procure atendimento imediatamente.
Perguntas frequentes (FAQ)
1) A trombólise substitui a trombectomia?
Não. São tratamentos complementares. Em muitos casos, o paciente recebe trombólise e depois é encaminhado à trombectomia (“estratégia ponte”).
2) A trombectomia pode ser feita em todos os pacientes até 24h?
Não. Só é indicada em casos muito específicos, avaliados por exames avançados de imagem.
3) O SUS cobre trombectomia?
Sim. Desde 2023/2024, o SUS incorporou a trombectomia em hospitais habilitados, e o número de centros está em expansão.
4) Quem decide o tratamento?
A decisão é sempre da equipe médica de emergência e neurologia, em conjunto com o neurointervencionista, baseada em protocolos e exames de imagem.
Conclusão
O tratamento do AVC isquêmico avançou muito nos últimos anos. Hoje, pacientes têm acesso a opções que antes não existiam, como a trombectomia mecânica, que mudou o prognóstico de grandes oclusões.
Mas o caminho até a recuperação depende de três fatores inseparáveis: reconhecimento rápido dos sintomas, equipe especializada e materiais de alta qualidade.
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